E-mail: A família que descobriu que o problema era o sistema, não as pessoas.

Recebi, recentemente, uma mensagem como esta: De: Fernanda Assunto: Tudo mudou quando entendemos que o problema não era ninguém! "Ronaldo, boa noite. Meu nome é Fernanda. Tenho 40 anos, sou filha do fundador de uma empresa de consultoria. Trabalho aqui há 12 anos, junto com meu irmão, que tem 37 anos. Há um ano, a gente fez um diagnóstico de governança e, honestamente, foi transformador. Antes, a gente achava que o problema era meu irmão, que ele era indeciso, fraco na liderança e com problemas de tomar decisões na velocidade necessária. Mas quando nos sentamos em família, com um consultor que começou a fazer perguntas e, ainda, quando pudemos compreender o que meu irmão realmente sentia, descobrimos que o problema dele não era indeciso; mas sim paralisia, uma vez que cada decisão que ele tomava era questionada ou revertida pelo meu pai. E meu pai não era um tirano. Ele era inseguro, porque nunca tinha ensinado pra gente como tudo funcionava e, assim tinha medo de que a gente errasse. E a empresa não era frágil por falta de mercado, mas por falta de um sistema. Quando isso foi nomeado, tirando o que estava invisível e colocando isso sob luz, algo mudou, pois agora a gente conseguia trabalhar com o fato concreto. Então, a gente desenhou papéis claros, criou os fóruns apropriados, estabelecendo um processo. E agora? Meu irmão consegue tomar decisão. Meu pai consegue confiar. A empresa consegue funcionar. Minha pergunta é: como é possível que uma coisa tão simples — apenas nomear o que estava invisível — tenha transformado tudo?"* Fernanda, que bom reencontrar a história de sua família. O trabalho que realizamos juntos foi muito prazeroso! Sua pergunta toca no coração do que faz diferença, porque a verdade é que o poder de nomear, de materializar ou verbalizar um problema, é imenso. Quando você vive algo, se sentindo paralisada ou insegura, mas não consegue nomear, o problema governa você, pois está invisível e você, simplesmente, não consegue trabalhar com aquilo. Mas quando tudo fica materializado, no caso de vocês, quando conseguimos finalmente dar nome ao problema ("isso é paralisia causada por falta de clareza, não incompetência"), foi aí que algo mudou. Aquilo não era mais uma fraqueza pessoal, mas um padrão de um sistema que precisava ser redesenhado. E foi isso exatamente o que fizemos na sua família: nomeamos e redesenhamos. O que é importante reconhecer é que nada mudou nas pessoas: seu irmão não ficou mais competente, seu pai não ficou menos inseguro e você não ficou menos frustrada. Mas, a partir da mudança do sistema, as pessoas conseguiram funcionar e, inclusive, se relacionarem de uma melhor forma, com mais leveza, comprometimento e solidariedade. Com o trabalho, ali passou a existir clareza e método. Construímos uma estrutura sólida que respondia ao antes inominado problema. Com uma metodologia bem construída, a competência passou a ser visível, o que trouxe confiança e a evolução no relacionamento. Essa é a verdade que raramente é dita: a maioria dos problemas em família empresária não é problema de pessoas; é problema de sistema. E sistema pode ser redesenhado. Ronaldo Behrens Sócio ABC Prosperity, PhD, Especialista em Neurociência do Comportamento e Professor da Fundação Dom Cabral. __________________________________________________________________________________________________ Este conteúdo tem finalidade estritamente informativa e educacional, não constituindo oferta, recomendação ou solicitação de serviços. Casos mencionados são anonimizados e não identificam clientes. Informações tratadas conforme LGPD. ⚠️ Disclaimer: O caso descrito acima é fictício e foi criado com base em padrões recorrentes da minha experiência profissional com famílias empresárias que passaram por processos de diagnóstico e redesenho de governança. Nomes, localizações, setores e situações foram inteiramente inventados para fins ilustrativos. Qualquer semelhança com pessoas, empresas ou situações reais é mera coincidência. A identidade e a confidencialidade de clientes e casos reais são, para mim, um princípio inegociável.