"A maioria das sucessões não falha por questões jurídicas. Falha por silêncio."

A maioria das sucessões não falha por questões jurídicas. Falha por silêncio! É comum que famílias empresárias invistam tempo e recursos consideráveis em estrutura jurídica e planejamento tributário. E é correto que o façam. Mas a estrutura não resolve o que não foi dito. Quando a família chega à sucessão sem regras de decisão claras, sem papéis definidos e sem um fórum adequado para as conversas difíceis, cada tema vira pessoal: quem assume o cargo, quem detém o controle, quem é reconhecido pelo que construiu, quem guiará a estratégia em direção ao futuro. Governança existe para transformar esse assunto em método. O que se decide. Onde se decide. Com quais critérios. Por qual processo. É a aplicação prática do ditado “o que é combinado não é caro”! Quando esses elementos estão desenhados com antecedência, a sucessão deixa de ser um evento de risco e passa a ser um processo de continuidade, pois os envolvidos têm previsibilidade do processo. O padrão que observo com alguma frequência: a estrutura jurídica estava em ordem, o planejamento tributário estava feito — e a ruptura veio de uma conversa que nunca aconteceu. De uma expectativa que nunca foi nomeada. De um papel que nunca foi combinado. Sucessão bem feita não improvisa. Começa muito antes do anúncio — e começa pela governança que, por sua vez, vem das escolhas feitas a partir de um diálogo bem conduzido. Não há prosperidade possível sem esse diálogo, sem o respeito aos interesses das pessoas envolvidas e sem a negociação importante para a chegada a um mínimo denominador comum na Família, um consenso. Invista no processo e colha os bons frutos para sempre! Se esse tema é relevante para a sua família ou para alguém que você assessora, salve este conteúdo. Ronaldo Behrens Sócio ABC Prosperity, PhD, Especialista em Neurociência do Comportamento e Professor da Fundação Dom Cabral.